Folha Viva

SOU DE FASES: COMO A LUA E COMO TODAS AS MULHERES. TENHO TODOS OS HUMORES E TODAS AS IDADES…escrevo sobre o que está me incomodando, ou sobre o que, deliciosamente já se acomodou em mim Entendeu? Nem eu!

20/5/08

Falsa Poesia

(Parido em uma madrugada qualquer de Maio/2008)

                                                

É tentadora uma página em branco em uma hora vadia,

Inevitável dizer: Eu quero fazer poesia!

Mas hoje as palavras brincam comigo!

O sentimento já está desatrelado, doido pra sair do peito,

mas as palavras riem à solta

e só querem brincar comigo!

Tais quais meninas levadas, elas pulam pra todo lado,

arrepiam minha pele, mas fogem e brincam comigo!

Palavras! Queria tanto apreendê-las neste instante mágico,

tê-las todas aqui juntinhas, alinhadas e coerentes,

fazendo rimas decentes e quem sabe encantando gente.

Que me falte até o ar,

mas não me tirem as palavras,

pois quando esta crise chega, é dificílimo contê-la!

A princípio ela chega mansa, que nem percebe a presença,

infiltra-se em meus poros sedentos e domina minha inocência.

Será que elas voltam a tempo, de compor bem a contento?

Tento ser rápida e agarrá-las, mas as palavras fogem a tempo.

A emoção está lá na frente e eu não quero que ela suma,

olho pra trás e as palavras, gritam em coro: descanse e durma!

Já está amanhecendo e tem que clarear em mim.

Divago, pesco palavras, mas elas fogem de mim.

Minha alma engole o verbo, de súbita e louca emoção e

sem verbo eu não escrevo, por pura superstição.

Será que o espaço é pouco, pra brincar de poetar?

Não juntei muitas palavras, mas contei minha emoção.

E neste esforço insano, de montar o meu esboço,

declaro aqui novamente, que as palavras se foram.

 

criado por eliezeteluna    13:19 — Arquivado em: Sem categoria

19/5/08

ME EMPURRA, vai!

 

 

Atenção senhores passageiros! Temos novidade no atendimento personalizado do metrô:  É o "empurrador" de passageiros. É a versão repaginada  e  antiga que os passageiros de ônibus  cansaram de ouvir  na época anterior ao bilhete-único :  "um passinho à frente" gente, normalmente dita pelo cobrador.

 

 

Fico simplesmente encantada com essa…digamos, preocupação com a massa humana.

Gados? Eu escreví  isso? Você enxergou mal.

As fotos do jornal são sugestivas. No colete de um  dos funcionários  lê-se: embarque com segurança  e o segundo funcionário usa até luvas para espalmar suas mãos nas costas do "povo" e empurrá-lo muito sutilmente porta adentro do metrô.

 

 

Alegam que o movimento do metrô explodiu nos últimos dois anos!  E eu complemento dizendo  que também explodiu   o trânsito,  todos os outros meios de transporte coletivo, a criminalidade, a insegurança e nossa paciência! A falta de planejamento é gritante.  A estratégia que usam projeta  lucros a  curto prazo  (pra eles) e problemas insolúveis a perder de vista (pra nós). 

 

 

Mas  –sempre tem um mas–, se de repente esses "empurradores" caírem em desuso, pode ser que eu contrate algum. Sabe por que? Bom, para aqueles dias em que somos tomadas de pura indecisão e não sabemos se procuramos ou não a pessoa amada e nos desculpamos por tudo e nada; pela falta de paciência; pela saudade; pelo tesão, ou se simplesmente ficamos estáticas esperando o tempo passar. Aí entra o "empurrador" e nos põe em movimento,  com um leve toque no coração.

De quantas indecisões somos feitos ? Algumas por orgulho ferido, outras por medo do não,  acomodação à rotina sem desafios, por medo de fazer sofrer (quem não sofre não é feliz, diz o meu ditado mais impopular)  e outras centenas de "vou/não vou", que apesar de pequenos, se juntados, mostram toda a diferença em nosso dia-a-dia.  

Estou tentando. Fiz meu "movimento", mas se quiser, pode me empurrar.

 

criado por eliezeteluna    10:51 — Arquivado em: Sem categoria

15/5/08

Quero 10 kgs. de felicidade. Bem pesada!

 

Eu quero 10 kgs. de felicidade sim, bem pesada e para ser consumida hoje.

Se podemos comprar tanta coisa, por que não instituímos um valor para a felicidade? Ela anda tão escassazinha, tão na entresafra, que poderíamos  imaginá-la vendida a peso de ouro, ou de euro!

 

 

Este delírio surgiu de uma nótícia de um jornal de hoje, em que diziam que desde o ano 2000, 600 milhões de pessoas em todo o mundo passaram a fazer parte da nova classe média. E essa faixa da população quer consumir, viajar e mudar seus padrões de gastos. "Ela quer a felicidade, e agora pode comprá-la."

Mas me diga você, quem é que você conhece, de perto ou de noticiários longínquos, que seja arquimilionário e  simplesmente feliz?

Pois é, eu já sabia que sua resposta seria uma negativa. Você pode até imaginar que algumas situações da sua vida seriam amenizadas com um pouco mais de dinheiro, mas tenho absoluta certeza que depois de tudo visto, gasto e usufruído, ainda ficaria aquela sensação de nada, ou de tudo a ser feito ainda.

 

 

Por que somos feitos de uma alma criança, que  mesmo na velhice cronológica, ainda vive adolescendo em cada manhã. E nossas vitórias são construídas aos poucos, usando a borracha para apagar tentativas que você sonhou e não deram certo, ou apenas deletando  caminhos sofridos e impossíveis.

Reinventamos a cada dia nossa estrada; podamos sempre os nossos jardins; alimentamos a cada madrugada nosso amor faminto e só descansamos quando o sol brilha, mesmo que por baixo de nuvens.

Somos feitos de boas lutas, de superação, de reconstrução diária. E nesse terreno não existem  medidas ou pesos onde prevaleça o dinheiro.

Continuo querendo sim meus 10 kgs. de felicidade hoje. Mas que venham pela via mais certa e linda. Pelo coração!

criado por eliezeteluna    12:04 — Arquivado em: Sem categoria

14/5/08

Que coisa mais irritante! - Parte 2

Continuo me achando normal. E como todo humano ser, às vezes desperto apaixonada como uma princesa.  Por outras,  extremamente compreensiva e amorosa e em outros tantos dias…irritadinha, com grandes e pequenos acontecimentos. Quer saber?

 

   Dia de clássico de futebol  em que os torcedores  que vão ao Estádio, já levantam da cama pensando somente em como provocar uma bela de uma briga com o torcedor adversário, seja ele quem for. 

 

  Homens que já nascem cansados e não cedem o lugar e nem a vez às mulheres. Seja porque não foram educados, ou por não conseguirem ser gentis simplesmente. São coisinhas bobas, mas que nos deixam felizes:  o banco do ônibus, abrir uma porta e esperar que ela entre primeiro, dar a vez no elevador, dar a preferência no trânsito e tantas outras pequenas gentilezas.

 

  Jornalistas que falam sobre notícias tristes  sorrindo e notícias alegres sem nenhuma emoção. Estão no automático ou não sentem mais. Cá pra nós, nestes dias friorentos (que eu não gosto porque sou de sol e calor), a moça do tempo da Globo tem me irritado! A alegria que a envolve quando ela diz que amanhã a temperatura vair cair mais um pouquinho…ahhhhhhhhhrg!

 

  Embalagens difíceis de abrir:

presentes cheios de nós e laços que não se desfazem. Se o presenteador estiver ao seu lado, disfarça e…detona.

catchup em sachês. Quem já não morreu de vontade de despejar um daqueles em um sanduíche e não conseguiu  abrir nem mordendo?

alguns biscoitos que no devido lugar escreveram "abra aqui", mas esqueceram de deixar a abinha pra você puxar!!!

marketing econômico. Como um determinado creme depilatório que traz a seguinte mensagem: "composição e precauções vide instruções impressa na parte interna da caixa."  Não é que dentro da caixa exista algum papel solto para se ler. Nãoooooooo!  Para ler, só rasgando a caixinha. Tentei ler conforme mandaram e só alcancei as seguintes palavras: "não use", "recomenda", "manter fora",  "cuidado" e "proteger".  Genial!

E por último: pessoas hipocondríacas e pessimistas. Valhei-me meu Deus!

O prazer bestial que elas tem em descrever desgraças e doenças não tem limites. Não adianta você interromper com uma palavra otimista, porque será deletado.

Caso você se veja frente a frente com alguma espécie assim, nunca pergunte nada. Não demonstre o menor interesse . Desvie sutilmente o olhar e JAMAIS pergunte : como vai?  Você corre o risco de ter que ouvir a resposta.

criado por eliezeteluna    11:19 — Arquivado em: Sem categoria

13/5/08

DOCE MEMÓRIA

 

 

 

 

 

… quando sentimos, não que o apoio nos foi retirado, mas uma redução da proximidade desse apoio, podemos ter certeza de que um período de provas está prestes a começar, período no qual será exigido de nós que nos nutramos somente da memória da alma até que o amado retorne. É então que nossos sonhos noturnos, especialmente os mais impressionantes e mais fortes, são o único amor que teremos durante algum tempo…

 

(Mulheres que correm com os lobos)

Clarissa Pinkola Estés

criado por eliezeteluna    9:43 — Arquivado em: Sem categoria

12/5/08

O HOMEM DOS MAPAS

 

Eu o vejo há anos naquele cruzamento das Ruas Pe. Anchieta com a Av.Adolfo Pinheiro. É um senhorzinho com aparência frágil, bem franzino e que carrega  dois mapas grandes e abertos: o mapa do Brasil e o mapa Mundi.

 

 

Tão logo o farol fecha  ele sinaliza sua presença. Surge do nada e silencioso vai oferecendo aqueles mundos já tão conhecidos.

A sensação é a de que ele carrega, literalmente, seu mundo nas costas. Seus mapas, suas regiões perdidas, com todos os seus grandes rios e seus pequenos afluentes.

 

 

Sempre que o vejo,  sou remetida aos bancos escolares, à minha professora de geografia, que por falta de didática melhor, nos fazia desenhar, copiar, colorir e  decorar tudo exaustivamente.

 

 

Voltando ao nosso vendedor de mapas, o que me intriga e eu ainda não pude perguntar é, porque ele vende mapas?  Acostumados que estamos às balas, flanelas, bandeiras de time de futebol, fico intrigada com a escolha de seu filão no mercado.

De verdade, eu fico curiosa, principalmente porque nas vezes em que passei naquele farol, nunca o ví vendendo nenhuma Cidade, Estado ou País.

 

 

Mas ele insiste. Deve saber algum "segredo" ou lição de marketing que desconhecemos, ou deve ser possuidor da mais linda paciência e persistência que jamais ví.

criado por eliezeteluna    15:32 — Arquivado em: Sem categoria

10/5/08

Linda Senhora!

Em um domingo ensolarado de Abril de 1986 eu também me tornei mãe. E tendo virado sua "irmã" nessa difícil arte, pude desde então avaliar com mais atenção e cuidado o que você sempre representou.

 

 

Não tenho dúvidas de que criar e amar cinco filhas é bem mais difícil. Além de todos os laços de fita e bonecas, deve ter sido complicado lidar com essas menininhas de personalidades tão diferentes, que foram crescendo como árvores, esparramando seus galhos e tentando também gerar bons frutos.

 

 

E em cada uma de nós tem um pouco de você:  da sua incansável vontade de aprender e de fazer bonito na vida;  do seu encanto em viver nossos encantamentos; da sua inabalável fé nas pessoas e em todos os seus santos protetores. Sempre recorremos a você para "furar" a fila de pedidos aos Céus. Sua ligação com eles nos parece sempre mais rápida e sem intermediários.

E você sempre produz grandes milagres, ou os fazem chegar mais rápido.

 

 

Você nunca se cansa de amar suas meninas?

Qual é o limite da sua paciência e fôrça?

 

 

A reconstrução do seu amor por nós é diária, mesmo que muitas vezes feita em cima de tijolos tão esfarelados!

Que toque mágico possui seu coração, que mesmo ausente do seu apaixonado companheiro de jornada, ainda assim, mesmo assim, reparte amor com tanta facilidade, nem sempre recebendo em troca?

 

Linda Senhora! Você é tão menina ainda, e tão sábia!

 

 

Não deve ser fácil alimentar a esperança diáriamente. Torcer para que cada sonho bom da sua "ninhada" vire verdade.

E como é bom ver a certeza da felicidade em seus olhos, em ouvir você dizer "vai dar tudo certo",  ou sair da sua casa e ouvir "vai com Deus."

Fico forte com essa  sua bênção.

 

 

E hoje,  Dna.Emília, nós, suas filhas e netos, queremos dizer que sua vontade férrea de acertar, anula qualquer possível falha. Você se torna perfeita na grandeza desse seu enorme coração.

 

 

Eu e toda sua ninhada, queremos dizer mais uma vez,  para nos desculpar por qualquer tristeza ou qualquer apreensão.

Vamos prometer melhorar e nos comportar mais.

Eu amo você! Sempre e muito.

criado por eliezeteluna    20:24 — Arquivado em: Sem categoria

Navegando no Rio Pinheiros… ou

 Sem brincadeira, esta a meu ver seria uma das soluções para evitar os 266 kms. de congestionamento registrados ontem no trânsito em São Paulo.

Às 15:00 hs. eu viví esse transtôrno na Marginal Pinheiros, a caminho do Itaim, sem imaginar que o final da tarde seria bem pior. Meia hora para se andar 50 metros.

 

 

E naquela hora em que me ví presa no trânsito, percebí o ridículo da situação.  Todos se igualam. O carrão ou o carrinho apresentam as mesmas qualidades, ou seja,  não se movem. Só o conforto interno do veículo  denota a sutil diferença.

Mas tem exceções sim. Elas. As motinhas e suas buzininhas irritantes.

 

 

E eu pergunto: para que carros com  motores possantes, com não sei quantos cavalos? Melhor seria colocar esses cavalos pra puxar carroças. Qualquer bicicleta, patins ou mesmo skate andaria mais.

 

 

Se pensarmos  em  cada bebê que cresce e que vira adolescente motorizado rapidinho, será a constatação crescente do que vemos. Cada morador de uma mesma casa tem seu próprio carro. Que é sinal dos tempos. Assim como acontece com os televisores, que passaram a ser individuais, ou para cada cômodo  da casa. E tome mais carros nas ruas.

 

 

Os fabricantes de automóveis estão rindo de uma orelha a outra. (Eles andam de helicópteros)  Nunca fabricaram e venderam tanto.

E as ruas, avenidas e marginais não crescem como crianças!

E o transporte público é uma b_ _ _ a!

 

 

Estão propondo pagar pedágio urbano!!!!  R$4,00 por dia.

Não esquecendo aí  que já temos o  rodízio, que é o protótipo de solução que resolve e atrapalha. O direito básico de ir e vir ficou sem sentido: Ir por onde? Em que dia eu posso? A que horas? De carro, ou de escafandro pelo rio?

 

 

Como bem disseram, o trânsito de São Paulo virou um grande estacionamento a céu aberto.

Por isso minha proposta: limpar aquele riozão que margeia a Marginal e torná-lo navegável. E tome bote, balsa, barco, canoa, iate ou bóia.

 

 

Mas por favor, façam a fila andar.

 

 

criado por eliezeteluna    13:51 — Arquivado em: Sem categoria

9/5/08

CÚMPLICES ??????

Nunca houve a mínima relação de amor entre o casal Nardoni, antes ou depois do crime. Eles foram  os executores  do crime  mas jamais  foram cúmplices, no amor ou na dor.

 

 

Esta obviedade já seria o bastante para tentar explicar o que todas  as  imagens oferecidas  deixou  claro:  total falta de cumplicidade, a inexistência daqueles pequenos e imperceptíveis sinais que só os casais que se amam sabem  seus códigos.

 

É impressionante não ter havido nunca uma troca qualquer de olhar entre  os dois, ou o brilho próprio do olhar que ama ou é amado, daquela chama própria , sem palavras e inconfundível, daquele elo forte e inabalável.

Nunca vi nenhum gesto acolhedor ou de carinho, por pequeno que fosse: um toque, um ombro amparado, ou uma mão que segura e sustenta a dor do outro.

Nada! Eles desconhecem o que seja isso. Não há a menor admiração entre eles,  nem o menor respeito.

Isso era anterior ao crime. Eu diria até que eles sempre se odiaram.

 

 

Mesmo criminosos, se houvesse uma única gota de amor, ela seria repartida.

E esse é o motivo maior do crime: desamor!  Por eles, pelos filhos, pela vida. Mataram por desamor e viverão eternamente sedentos, sem conhecer esse fogo transformador.

 

 

E eu me pergunto por que uniões tão desiguais continuam a fazer parte da vida das pessoas? Em nome do que elas ainda existem? Em troca de que sentimento os casais sugam a energia do outro, caminhando ambos para o precipício?

Amar é acima de tudo ser cúmplice. Em toda e qualquer decisão ou situação e normalmente essa cumplicidade é alegre, divertida, sem dores. É a cumplicidade inocente de crianças.

E por falta dessa cumplicidade , já posso antecipar o final dessa história que ainda renderá muitos flashes e manchetes.

A madrasta, que é real e não saiu de nehum conto da carochinha , me parece carregar mais ódio. Não sei bem por que!  Sei que será ela quem primeiro irá contar todos os detalhes sórdidos. E dirá com todas as letras que não foi cúmplice. Isso já sabemos. Nunca houve cumplicidade. Houve sim, dois bandidos frios e calculistas atuando juntos em uma mesma cena de crime de horror.

 

 

 

 

 

 

criado por eliezeteluna    9:39 — Arquivado em: Sem categoria

8/5/08

VIGIANDO MEU VIZINHO

 

No meio das correspondências recebidas ontem, encontrei uma revistinha que mensalmente é entregue aos condôminos do edifício. Tem o nome de Em Condomínios. Uma rápida folheada e vejo lá uma matéria com o título: amizade entre vizinhos como fator inibitório da prática de crimes nos apartamentos.

 

 

Bem, bem, bem! Resumindo, ( a começar pelo título enorme) o que eles querem nos ensinar,  é que se houvesse mais amizade, interesse e conhecimento dos nossos  vizinhos…, provavelmente a "menina" não teria sido jogada pela janela.

 

 

Até que eu consigo ver o lado sério e o objetivo do texto, ou seja, se alguém tivesse suspeitado que aquele casal era louquinho de pedra, talvez tivesse havido alguma denúncia ou um alerta para a verdadeira mãe, ou para algum Órgão Protetor de Crianças. Talvez…

 

Mas não posso deixar de pensar no lado cômico de ficar vigiando todos os meus vizinhos pra saber quem tem cara de tarado, de assassino de velhinhas desamparadas ou de Lobo Mau.

Eu mal conheço quem mora no meu prédio. Sinal dos tempos em que vivemos. Somos todos eternos desconhecidos que se cumprimentam no elevador. E nada mais.

Cada um preocupado com sua vida corrida, compartilhando apenas alguns centímetros do mesmo espaço, por uns poucos segundos.

 

 

Já pensou em sair percorrendo todos os andares na tentativa de escutar alguma discussão mais acalorada? De perguntar se aquela criança que acabou de levar um beliscão será atirada pela janela mais tarde? Ou se aquele casal  triste do elevador irá se suicidar mais tarde, por completa depressão? Ou quem sabe aquele outro casal que parecia embrutecido , ou cansado um do outro, iria se estapear na calada da noite?

 

 

Não, não e não. Se não dá mais para estender laços mais profundos com a vizinhança, o melhor é estender esse mesmo laço para um olhar mais otimista sobre os outros. Pensar que  depois de  fechadas as portas, o  aconchego do lar refaça  qualquer cansaço, qualquer dor e qualquer possível loucura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

criado por eliezeteluna    9:51 — Arquivado em: Sem categoria
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