Gosto demais de livros de auto-ajuda. Mas tem que ser muito bom. Não é qualquer conversinha fiada que me convence não.
E nesta semana, depois de haver presenciado algumas cenas pitorescas ligadas à saúde, lembrei-me de um livro ótimo do Dr.Deepak Chopra, endocrinologista nos Estados Unidos, que se chama : A Cura Quântica.
Resumindo em poucas palavras, de acordo com o escritor "… a cura é um processo estabelecido pelo corpo de dentro para fora. A disposição mental, a intenção e o desejo podem ser percebidos por todas as células, que passam a atuar visando à cura…"
Bem, a questão é que somos criados sem esse referencial do poder que possuímos. Nossa cultura estimula o culto à doença, aos médicos e aos remédios. E o consumo desenfreado de remédios é tão banalizado, a saúde é tão descaradamente comercializada e sucateada, que a cura quântica parece mais uma utopia. E não é.
Acompanhando minha mãe que tem 81 anos a uma farmácia (rede famosa) em bairro populoso, o primeiro impacto foi a quantidade de clientes. Aquilo mais parecia uma loja de roupas femininas em liquidação. Os atendentes eram disputadíssimos e a gentileza e paciência já haviam sido descartadas. Contei 35 pessoas na fila do caixa. Mamãe dirigiu-se para a fila de idosos, que também não era pequena, e enquanto aguardava eu observava que o rapaz do caixa, somente para os idosos, oferecia como quem não quer nada uma determinada vitamina em caixinhas bonitinhas, cor laranja, estratégicamente colocadas ao seu lado. Sua abordagem era a de que a vitamina estava em promoção. Observei a senhorinha contando o dinheiro com dificuldade para o total de sua receita e perguntar para que servia a tal vitamina. E o caixa incorporou o espírito de algum médico para fornecer milhões de informações nada a ver, mas que resumia dizendo que sua "cliente" não teria mais resfriados. "Vou levar duas caixas", disse a incauta. Torcí para que ele oferecesse à minha mãe, mas não sei porque, não fez a oferta.
Nessa mesma farmácia tem um expositor com uma foto enorme de um cantor…sertanejo famoso. Embaixo do seu lindo sorriso a frase: junte 180 ptos. e ganhe este CD. E o pior é que o CD toca sem parar na Drogaria. Imagino a droga que deve ser ouvir aquilo por horas, dias, meses. Bah! E na tela de descanso de todos os computadores, o cantor estava lá, sorrindo e induzindo mais compras supérfluas.
Existem coisas que não combinam com os lugares. E principalmente quem lida com saúde, deve disfarçar seu comércio, se esse é seu objetivo principal. O cliente deve sentir que a preocupação é só com a sua saúde. Ambiente calmo e tranquilo e de preferência com uma ótima música ambiente, que ajude a relaxar.
Não acabei ainda. Estou soltando os cachorros sim.
Sabe aqueles … não sei a nomenclatura certa, mas acredito que seja "vendedores-mala de remédios" em porta de consultório? Eles ignoram a fila de pacientes já impacientes aguardando a vez de entrar na sala do médico. A porta do médico abre e eles invadem. O bom médico é aquele que deixa esse portador de boas novidades por último. Mas descobrí também que a prioridade que determinados médicos dão a esses cavalheiros, tem um significado que sempre quis descobrir.
É simples. O remédio que o médico prescreve para uso contínuo é caríssimo, mas ele assegura que é o melhor. E é mesmo. Mas junto com a receita, o médico entrega um cartão ao paciente que lhe dará descontos progressivos a cada compra (estímulo à doença). O cartão é a única forma de chegar ao tal remédio e deverá ser desbloqueado por telefone antes da compra. Você liga, responde a intermináveis perguntas, direcionam dois locais exclusivos de venda do remédio e… na perguntinha final você informa o nome e o CRM do médico. Lógico! Você pensou o que eu pensei? Todas as pontas ganham. O laboratório, a farmácia exclusiva e o médico. E o cliente? Ganha saúde seu bobinho ingênuo!
Imagine agora um laboratório de exames clínicos, 7:00 hs. da manhã. A maioria dos pacientes em jejum aguardando para fazer exames chatos e dolorosos e pasmem… uma TV ligada em alto e bom som. E naquele canal! Que berra todas as atrocidades cometidas na véspera, na madrugada e no ato. E se não tem novidade, esticam o último crime mais hediondo com detalhes. Inacreditável a falta de sensibilidade. E o descaso é tanto, que naquele dia, ao invés de um café quentinho após os exames, distribuíam sucos em caixinha. Bem doces, como todo diabético que foi fazer exames gosta e pode. E não estou falando de SUS não.
E o governo criou o genérico, que de acordo com alguns médicos trata-se de farinha com roupa nova. Criou também as farmácias populares, onde o preço baixo de determinados remédios , transfere o estoque da farmácia para a casa do paciente.
Vou reler várias vezes a Cura Quântica. Até assimilar o processo todo e evitar que eu vá a determinados lugares e seja tão crítica assim; que eu não veja coisas que parece que mais ninguem vê; que só eu seja tão reclamona, que se dá ao trabalho de registrar queixa em nome de outros e perceber que apesar de ligarem dando satisfação, o problema continua. SAC não é Serviço de Atendimento ao Consumidor. Quer dizer SUA ABORDAGEM CANSOU! Fazer o que? Nascí assim. Sem paciência pra certas coisas.