Folha Viva

SOU DE FASES: COMO A LUA E COMO TODAS AS MULHERES. TENHO TODOS OS HUMORES E TODAS AS IDADES…escrevo sobre o que está me incomodando, ou sobre o que, deliciosamente já se acomodou em mim Entendeu? Nem eu!

29/9/08

Palavras silenciosas

A cena era comum: praça de alimentação de um Shopping, dezenas de amigos reunidos em várias mesas que foram unificadas, e trocentas latinhas de cerveja sendo consumidas com generosas porções de batata frita.

 

Até aí nada de extraordinário, a não ser pelo fato de que aquele grupo composto por homens, mulheres e até crianças, tinham entre si uma singularidade: o completo silêncio.

Pensei tratar-se de alguma brincadeira diferente ou greve de palavras. Não combinava a reunião de vários amigos, cerveja e nenhum som ou mesmo uma mísera gargalhada.

 

Sou lenta às vezes para perceber detalhes  e ao mesmo tempo sou sempre atraída pelo que é diferente. E de tanto olhá-los, percebi meu grande equívoco. Havia sim um traço em comum  e  intensa comunicação entre eles. Todos, sem exceção, eram mudos. Mas como falavam!

 

Na minha abismal ignorância preconceituosa, imaginava que os sinais que eles utilizavam com as mãos limitassem as expressões dos sentimentos e que determinadas situações não poderiam preterir as palavras, sempre. Grande tôla eu sou!

 

E para meu espanto, somente quando coloquei a alma de mãos dadas com os outros sentidos, é que percebi alguns namoros acontecendo ,(uns apenas começando e outros com maiores demonstrações de afeto e intimidade) outros contando piada ou comunicando-se com o filho. Aqui e agora falta-me justamente as palavras para descrever a rapidez com que aquelas mãos perguntavam e respondiam. Elas interagiam com a expressão facial e todo o corpo.

Fiquei boquiaberta com a algazarra que aquele silêncio aparente revelava.

 

Foi inevitável pensar em quantas vezes economizei minhas cordas vocais e não disse "bom dia",  "obrigada"  ou  "eu te amo". E de ocasiões em que soneguei uma palavra amiga ou a defesa de alguém… Das inúmeras vezes em que subí os decibéis para me impor no grito, ou simplesmente falar por falar, sem pensar.

criado por eliezeteluna    20:48 — Arquivado em: Sem categoria

28/9/08

Conversa de amigas

Basta prestar atenção e o inusitado acontece.

Carrinho de supermercado lotado, resolvi dar uma paradinha na lanchonete do Carrefour antes de enfrentar a fila do caixa. E quando acabei meu cafézinho, um homem um tanto quanto agitado falava ao celular sobre negócios. Inevitável não saber o assunto já que o volume de sua voz era naturalmente alto, a ponto de incomodar.

Ele puxou uma cadeira, "depositou" ali uma linda menina de dois ou três anos no máximo, e à frente dela colocou um refrigerante e uma caixinha. Em seguida ele se afastou e continuou andando de um lado para o outro, preocupado apenas com seus "negócios."

 

Vou tentar a descrição dela: cabelinho bem pretinho chanel e com franjinha. Perninhas grossas onde se via uma meia calça de lã cor de rosa, e uma jaquetinha cor de rosa combinando com o tom da meia. Nos pézinhos uma botinha marrom.

E aí começa o encantamento. Ela não olha e nem toca no refrigerante. Arrasta para mais perto dela a caixinha, que eu descubro ser uma Barbie. Mas ela não se comporta como qualquer menina com sua quase boneca nova, já que ainda não havia passado pelo caixa.

 

Ela ignora qualquer coisa ou pessoa ao seu redor, toca levemente na caixa, abre um sorriso maravilhoso e difícil de descrever e fala algo incompreensível com sua amiga Barbie. De repente coloca as duas mãozinhas gordinhas no queixo e  apenas sorri.  Um sorriso feliz, de alegria plena. Parecia estar dizendo que não acreditava naquele encontro. Depois balançou um pouco a cabeça para frente, como se estivesse dizendo sim a alguma pergunta feita pela Barbie.

 

Fiquei paralisada por vários minutos, apaixonada pela cena daquela menininha que mantinha o mais lindo e incrível diálogo inaudível que jamais ouvi.

 

Pensei em chamar o pai dela para registrar tudo aquilo, mas ele não entenderia o que estava perdendo  e muito menos minha intromissão em sua vida. Imaginei que ele poderia até ser um pai participativo, daqueles que assistem desde o parto; que viu o primeiro dentinho que apareceu ou a primeira palavra dita… Mas ele estava perdendo naquele instante uma parte importante da história de sua filha, que certamente não seria repetida, não com aquela intensidade.

 

Confesso que não consegui decifrar muito bem as palavras trocadas entre as duas. O que sei é que houve um encontro de duas velhas  e queridas amigas. E esses minutos mágicos iluminaram minha alma e alegraram minha noite.

 

Que bom que ainda existam crianças que conversam com suas amigas bonecas, quando sabemos através de noticiário recente, de meninas de quatro anos de idade, que, incentivadas pelos pais candidatam-se a concurso de Miss, com direito a cabelos tingidos, batons nos lábios e roupas de gala e etecéteras… (Valha-me Deus!)

 

Estou pensando seriamente em "me" presentear com uma Barbie para comemorar este encontro de encantos.

criado por eliezeteluna    17:49 — Arquivado em: Sem categoria

27/9/08

Chegou a hora!

Tudo ou muita coisa acontece quando esperamos por elas, e em outras ocasiões, as situações se apresentam assim, de surpresa e sem aviso prévio, não nos permitindo avaliar a tempo se queremos, se podemos, ou se entendemos o que está acontecendo.

E mesmo sob o efeito da surpresa, somos nessa hora como o goleiro que tem a responsabilidade imensa de "ter" que pegar aquela bola ou espalmá-la para longe de sua rede, com muita calma, concentração e eficiência.

 

Nós mulheres, que durante nove meses acalentamos em nosso ventre o milagre de reproduzir a vida, tão perfeita e em sintonia com o poder máximo da criação, esperamos ansiosamente por ver enfim a obra pronta, tão acalentada. Mas quando se apresenta a hora, o minuto final de entrar na sala de parto, somos acometidas na maioria das vezes por uma mistura de alegria e medo. Não há como retroceder, esperar ou ficar se preparando mais. Chegou a hora!  E é dessa hora que eu falo, em que se está cercada por outras pessoas, mas sozinha em seu momento.

 

Vivemos às vezes um conto de fadas, um amor maravilhoso, esperado e único, perfeitinho e cheio de cumplicidades que só um grande amor é capaz. E em um dia qualquer de mais um reencontro dessas almas, uma delas decide se culpar, recuar e não aguentar o peso e o preço dessa felicidade  (alguns são assim: têm medo de seguir felizes). E tudo acaba ali, naquele minuto, sem mais. E é desse exato minuto que eu falo, em que chegou a hora  de reescrever rapidamente seu próprio enredo para não enlouquecer e continuar fazendo parte do roteiro geral da vida.

 

E têm muitos outros chegou a hora!

O primeiro dia em um novo emprego; a primeira noite com um novo homem; conhecer pessoalmente alguém que você só fala ao telefone ou pela internet; o dia da prova do vestibular; a hora de fazer um exame médico necessário, mas temido; a hora do veredicto de um Juiz…

 

E chegou a hora de parar com todas essas divagações que me fizeram escrever este post. Vou agora mesmo encarar um novo chegou a hora. Estou ansiosa e feliz ao mesmo tempo, indo somente com a minha coragem medrosa.

criado por eliezeteluna    15:43 — Arquivado em: Sem categoria

21/9/08

Dez coisas que todas as mulheres sabem

(mesmo sem saber)

Gosto muito desse texto que é do livro Toques de alma / Um olhar feminino, de Adília Belotti. Tive o enorme prazer de conhecê-la pessoalmente na última Bienal do Livro.

Todas as mulheres sabem que, no fundo de si mesmas, moram muitas outras figuras femininas. Algumas poderosas, outras frágeis; algumas velhas, outras bem jovens. Todas adoram falar e falar, como se o mundo, antes de existir, precisasse ser dito.

 

Todas as mulheres conhecem a dor e nenhuma é estranha ao sofrimento. Mas, no final, quando a noite se retira solene, carregando seu véu, a maioria de nós espreguiça e recebe o dia com generosidade renovada e a mesma velha esperança sorrindo nos lábios.

 

Todas a mulheres um dia (ou muitos) se sentiram alheias a si mesmas. E perderam-se num mar de irritação, mau-humor e impaciência. Exaustas, mergulharam num Lexotan, em vários copos de vinho, num maço inteiro de cigarros, numa banheira escaldante ou no mais puro desespero. Algumas sucumbiram, só algumas. Como resultado, todas nós carregamos no coração o silêncio dessa perda. E reconhecemos com reverência o poder desses abismos.

 

Todas as mulheres, mesmo as muito jovens, sabem que ser mulher é um desafio. Ou sentem isso no próprio corpo. E no mínimo desconfiam que vão passar um bocado de tempo tentando provar coisas para o mundo. Nascer mulher, em boa parte do planeta, ainda é afirmar-se acima do destino biológico e apesar das circunstâncias.

 

Todas as mulheres pensam que sabem amar. Mas o amor insiste em rir de nós. E desafia nossas desajeitadas tentativas de dominá-lo ou compreendê-lo. O amor parece um gato que só vem para o nosso colo quando nós já cansamos de o chamar. Aí, a gente ri e ele ronrona sua absurda liberdade enquanto recebe nosso afago no pescoço. Mas que ninguém se iluda: mal a gente se acostuma com aquele calor macio e peludo, ele pula de volta para a vida.

 

Nenhuma mulher deseja a felicidade assim de um jeito genérico. É o encantamento que sentimos quando cumprimos nosso destino de mulher que nós buscamos acima de tudo. E isso inclui muitas coisas bobas, como vestidos novos, e cores e mais cores de sapatos, e tantas outras coisas nada bobas, como filhos rechonchudos e gracinhas e… ele. De preferência, um ele apaixonado, mas não muito, bonito, mas não muito, inteligente, mas não muito, apaixonado por crianças, mas não tanto quanto por nós, e o toque final: que surja sempre assim com aquele jeito heróico e descabelado de quem acabou de matar um dragão por nós.

 

Todas as mulherers têm medo. Medo do primeiro beijo, do primeiro encontro, do primeiro emprego, medo de casar, medo de não casar, medo do parto, medo da traição, medo de não conseguir, medo de envelhecer, medo de dizer sim. A cada instante, nossos medos podem nos fazer trancar os dentes, afinar o olhar e ousar o salto. Ou podem nos empurrar encolhidas para dentro de uma caixa de sapatos. Onde ficamos grudadas, olhando o mundo por um buraquinho…

 

Todas nós temos um sonho. Nem sempre é um daqueles sonhos nobres, como o de Martin Luther King que ansiava por um mundo no qual os seres humanos fossem iguais em suas múltiplas e coloridas versões. Não, nossos sonhos muitas vezes são pequenos como um jardim ou um carinho. Ou engraçados: usar toda a poupança para ficar com um bumbum igual ao da beldade de plantão na TV. Ou românticos: um cruzeiro pela Grécia, com um grego lindo e de peito largo, absolutamente apaixonado por nós. Ou impossíveis: passar pela vida sem sofrer por amor.

 

Todas nós temos uma sombra. Negra e densa. Ora ela aparece como um sabotador, que mina nossas energias e desmerece nossos esforços, ora como uma mulher dura e fria, de palavras ásperas e julgamento impiedoso. Não importa como ela venha, você vai reconhecê-la sempre: a sombra tem o seu rosto. Também é fácil reconhecer aquelas, entre nós, que não ousaram olhar de frente para esse rosto transformado. Elas parecem árvores ressequidas e seus ramos balançam sem alegria. Quem se alimenta dos frutos murchos dessas árvores experimenta seu sabor ressentido e intolerante. Eventualmente, as tempestades partem ao meio troncos tão secos. Ninguém sente muita falta delas.

 

Todas nós sentimos, vez por outra, uma vontade de parar de bater as asas na vidraça e aquietar a alma. Essa é a hora de construir um templo para acolher nosso ser feminino. Um lugar onde a gente possa ficar só com nossos mistérios, nossas descobertas e pescar no fundo da alma o encantamento que vai nos tornar, de novo, tão orgulhosas de nós mesmas.

criado por eliezeteluna    0:27 — Arquivado em: Sem categoria

18/9/08

Por Que?

Por que acordamos em paz e o dia nos acelera?

 

Por que dormimos amando e acordamos questionando?

 

Por que tomamos sérias decisões em um segundo e passamos depois metade da nossa existência rindo da burrada que fizemos?

 

Por que eu ainda acredito em mentiras?

 

Por que eu ainda duvido das verdades que ouço?

 

Por que a maturidade nem sempre nos dá juízo?

 

Por que as pessoas se transformam tão rapidamente nos mostrando  outras faces?

 

Por que é tão fácil odiar?

 

Por que é tão difícil e complicado amar?

 

Por que as crianças não brincam mais de boneca, carrinho, de roda, de amarelinha?

 

Por que as crianças já não fazem tantas perguntas?

 

Por que todo mundo tem uma resposta pronta?

 

Por que? Por que? Por que? Por que? Por que? Por que? Por que? Por que?

criado por eliezeteluna    11:49 — Arquivado em: Sem categoria

16/9/08

Esse golpe é novo?

Sábado à tarde o vidro elétrico do meu carro enguiçou. Não subia e nem descia, ficando ali na metadinha. Não podendo ir a lugar nenhum sem correr o risco de convidar ladrões a levarem o carro,  apesar do seguro, insisti na procura de algum profissional indicado. O que consegui foi um auto-elétrico bem grande em uma avenida movimentada. Mal estacionei e o dono falando ao celular veio me receber abrindo minha porta. Desligou o celular e disse que eu tinha ido ao lugar certo. Não gostei dele, minha intuição me disse na hora para ir embora, mas… Fiquei e me danei.

 

Abrindo um parêntese confesso que adoro gordinho. Pela dificuldade que eles normalmente têm em emagrecer, compensam com a facilidade com que nos encantam e envolvem. Costumam ser charmosos e irresistíveis. Mas o nosso gordo em questão (o dono da loja)  era só gordo. E asqueroso. Mas eu queria meu vidro arrumado né?

 

Foi chamado um funcionário que foi desmontando completamente minha porta. Eram tantos trocinhos e parafusinhos que ele tirava, que fiquei preocupada se ele saberia colocar de volta cada um em seu lugar. Um pouco afastada eu observava tudo. Até que tirou uma peça grande, inteiriça, meio ovalada. Mostrou ao dono, colocou minha peça em um balcão e voltou com outra peça. Começou a colocação.

Até aí eu ainda estava esperando alguém me dizer qual o problema do vidro e o orçamento. Bela idiota eu sou né? Perguntei o preço e quase tive que ser amparada. Ouvi que na concessionária ou qualquer outro lugar eu pagaria treis vezes mais. Mentira né, mas imaginei também que se não autorizasse era provável que me cobrariam  quase a mesma coisa só pra montar minha porta de novo, sem consertar porra nenhuma.

 

Bom, mas o golpe não é esse. Vou contá-lo agora.

Assim que recebi a fatura do cartão percebi que o roubo ainda tinha sido superfaturado, em 3 parcelas cheias de juros.

O negócio é o seguinte: toda vez que você utilizar seu cartão de crédito para parcelar qualquer compra, siga duas recomendações: a primeira, que é óbvia, é não jogar fora o seu comprovante até que a fatura chegue. E a segunda, é que antes mesmo de sair da loja você observe no seu comprovante se está escrito, além do valor total correto, é claro, deverá constar: parcelado LOJA em (tantas) parcelas.

Se você notar que colocaram: parcelado ADM em (tantas) parcelas, pode ter certeza que está sendo roubado e que cobrarão juros em suas parcelas. É quase imperceptível.

 

Volte à loja, peça para cancelar e obtenha a cópia do cancelamento. Em seguida, se for o caso, peça para reemitir com a palavra LOJA. Faz toda a diferença.

 

Vou poupá-los em descrever a dor de cabeça que eu dei ao gordinho em duas visitas  posteriores à loja e as explicações mentirosas dele.

Aprendi a duras penas, mas acho que ele também aprendeu qualquer coisinha aí.

criado por eliezeteluna    16:47 — Arquivado em: Sem categoria

11/9/08

Memórias empoeiradas

O apartamento era pequeno, mas comportava bem seus moradores com seus muitos caprichos. E Vitória tinha lá suas manias. Amava livros e papéis e qualquer picotinho de papiro virava tesouro de sua coleção: cartas de amigos, de amor, poesias, bilhetinhos… Difícil conseguir espaço para seu estoque de letras; pensava em desfazer-se de alguns para ganhar acomodação para os novos, mas todos escapavam à sua seleção.

Vitória casou, mudou e descasou, mas continuou fiel à sua bagagem.

Um dia, visitando a mãe Dna. Kátia, é surpreendida assim que entra no minúsculo apartamento e vê logo de cara, no chão da sala, pilhas imensas de livros empoeirados.

__ De quem são esses livros, mãe?

__ Ah! São livros velhos que estavam ocupando espaço. Todos já foram lidos e não os queremos mais por aqui.

Vitória pede para olhar se tem algum que lhe interessa e senta-se ali mesmo, no tapete, no meio daqueles escritores abandonados no chão.

Não acredita no que vê! Ali, deitada e desajeitada encontra Helena, de Machado de Assis. Procura desesperada pelo resto da coleção presenteada pelo falecido pai mas não existe mais. Salva o Primo Basílio de Eça de Queiroz e vai crescendo sua pilha de memórias. Agarra a Angústia de Graciliano Ramos e O Sol Também se Levanta, com Hemingway. Sartre e Simone ainda juntos e bem velhinhos também são acudidos. Na capa vermelha revê Ana Karênina de Tolstói, ainda bela, mas um pouco descorada.

__ Você já não leu todos esses livros? Pra que levar isso, pergunta Dna.Kátia ao ver que só sobraram algumas revistas velhas.

__ Mãe, pelo amor de Deus. A senhora não consegue ver como todos esses senhores precisam de atenção e cuidados? São como crianças: precisam ser limpos, receber um pouco de sol e ar puro, necessitam de carinho, de mãos a segurá-los e de quem lhes dê atenção e o valorizem. Só assim eles passam a falar…

 

criado por eliezeteluna    9:36 — Arquivado em: Sem categoria

10/9/08

S- E- P- A- R- A- Ç- Ã -O

O que ficará de você em mim quando nos dissermos adeus?

Que pensamentos meus você carregará na hora crítica da noite, quando todos se calam e só nosso coração fala?

Será que nos dissemos tudo? Todas as inconfessáveis verdades de cada um?

Com quem ficará a sintonia que nos uniu?

criado por eliezeteluna    17:37 — Arquivado em: Sem categoria

9/9/08

Mulher ousada e apaixonada

(A maior paixão do mundo é um livro que conta a história da freira Mariana Alcoforado, e suas cartas de amor proibido - Myriam Cyr)

Desde  1669, um mistério literário desafia leitores e críticos. Consideradas um ícone do amor traído, as Cartas portuguesas causam polêmica até hoje.

 

(Sempre haverá aqueles que desaprovam o amor proibido. Mas o amor não liga, pois ele, ao contrário do preconceito, não tem fronteiras)

(Um antigo costume português estava em voga na época de Mariana. Se um homem olhasse fixamente nos olhos de uma mulher, isso significava que ele a desejava como amante. Se a mulher devolvesse o olhar, sua resposta era sim.)

TRECHOS DAS CINCO CARTAS FAMOSAS

… acaso poderias contentar-te com outra paixão menos ardente do que a minha?

…conjuro-te de dizer-me para que te aplicaste com tanta eficácia a encantar-me, como fizeste, sabendo mui bem que devias abandonar-me?

…conheceste o fundo do meu coração e o extremo da minha ternura…

…ordena-me nas tuas cartas que morra de amor por ti… Oh! conjuro-te de me dar este auxílio, para poder vencer a fraqueza do meu sexo…

…ensinaste-me bem a necessidade da perfeita submissão a todas as tuas vontades… folgo mesmo que me seduzisses…

…Nada quero de ti que não seja espontâneo e de teu próprio movimento - rejeito todas as provas de amor que constrangido me deres…

…Amei-te como uma louca!…

…Pretendias que eu te amasse, e, como tinhas formado este desígnio, estavas resoluto a empregar todos os expedintes para conseguir o teu intento, até mesmo a amar-me deveras, se necessário fosse…

criado por eliezeteluna    10:22 — Arquivado em: Sem categoria

4/9/08

Leva meu voto quem…

Não adianta fugir, os candidatos a Vereadores me inspiram diuturnamente.

E meu primeiro questionamento é se declararam alguma guerra por aí que desconheço. Esqueceram de me convidar pra luta armada? As chamadas no rádio e na TV são inequívocas: Vamos lutar pelo…  A hora é agora, venha lutar comigo… Juntos lutaremos para… Junte-se a nós nesta luta…

 

Mas vai levar meu voto o candidato que não mentir e não fizer caras, bocas e entonações. Que se apresente com a alma à mostra. Essa história de vou fazer, vou acontecer, não toca nem o dedinho mindinho do meu pé.

Quero ver quem tem coragem e raça pra dizer que quer meu voto pelos motivos óbvios. Assim ó:

  Estou desempregado e sem perspectiva nenhuma de ganhos fáceis e rápidos.

 

  A família já está criada, os netos correndo felizes por aí e eu preciso ocupar meu tempo ocioso.

 

  Minha aposentadoria mal dá para a tinta do cabelo e os remédios. Preciso agregar valores.

 

  Me chamaram e eu vim!

 

  Eu e o meu açougue somos famosos no bairro. Todo mundo vai "votá nimim".

 

  Vou "vigiá" a Prefeitura. Aí me dou bem na fita.

 

  Quer fama mais rápida que essa? Horário nobre na Globo?

 

  Por causa de tantos textos que "tão me dano pra lê", meu português tá "miorando"

 

  Quero mesmo é ganhar fama, dinheiro e poder. O povo? Que povo? Vai se f….!

  P.S.  -   É isso aí. Não me engana, que eu não gosto.

criado por eliezeteluna    16:23 — Arquivado em: Sem categoria
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