Folha Viva

SOU DE FASES: COMO A LUA E COMO TODAS AS MULHERES. TENHO TODOS OS HUMORES E TODAS AS IDADES…escrevo sobre o que está me incomodando, ou sobre o que, deliciosamente já se acomodou em mim Entendeu? Nem eu!

28/1/09

Amor secreto

É tão secreto que você não sabe, e é tão pra sempre que é indispensável dizê-lo Basta sentir a direção dos meus melhores e persistentes pensamentos Apesar de você dormir comigo na maioria das noites, quando meus olhos se abrem para o milagre de cada novo dia, meu primeiro "bom dia" é seu Cansei de lutar contra esse hábito e fui então vencida Inúmeras foram as vezes em que tentei trocar esse lugar que você ocupa por uma coisa ou pessoa qualquer Promoví mudanças absurdas tirando da minha frente coisas, fatos e lembranças que me fizessem dar conta da sua existência Tudo inútil Desistí de querer odiá-lo, de ignorá-lo ou de chamá-lo de cafajeste Mas sabemos, você e eu, que você é o melhor de você mesmo, o que significa uma grande diferença com relação aos outros pobres mortais Claro que enxergo seus defeitos e milhares de mancadas, rotas de fuga e subterfúgios de que és capaz meu menino bonito Mas assim mesmo, consigo bestamente achar desculpas para cada coisa Sei do que você é feito Sei de cor por onde passeia sua alma, seus medos e vontades mais obscuras… Sou eu que amo O privilégio é meu e de mais ninguém Não me incomodo mais em tropeçar nas lembranças, em rir de tantas coisas engraçadas, malucas e carregadas de tanto sentimento como as que vivemos Maravilhoso ter te conhecido tão de pertinho, ter devassado suas entranhas e ter sido hóspede do seu coração Quantos viveram o que vivemos e podem encontrar nisso o verdadeiro sentido de se estar vivo? É assim o meu amor secreto.   

criado por eliezeteluna    14:11 — Arquivado em: modo de ser

20/1/09

Maria Luíza

Não sei quem é Maria Luíza. De verdade não. Passei por ela no domingo por volta das oito da manhã quando todos ainda dormiam.

Eu fazia minha caminhada matinal, feliz com aquela manhã ensolarada e me dirigia para uma enorme praça onde a natureza se encarrega de me recarregar.

Ao entrar em uma rua tranquila, cheia de casas e prédios de alto padrão, vejo uma cena que destoa do ambiente. Deitada na calçada de uma casa, vejo uma menina-moça que deveria ter no máximo dezesseis anos. De longe achei a cena inusitada demais e a posição do seu corpo parecia de alguém relaxado tomando banho de sol. Bonita, bem vestida no uniforme de adolescente: blusinha branca, calça jeans, algumas bijouterias de bom gosto e com o celular em cima da barriga. Os braços abertos em cruz.

Mas o que mais me chamou a atenção e o que me fez voltar logo após haver passado vagarosamente por ela, foi uma espécie de bota ortopédica até o joelho da perna direita, que estava flexionada. Era preta e cheia de fivelas. Fiquei sabendo depois que era por causa de uma tendinite no pé.

Sou obrigada a confessar que infelizmente nosso senso de amor ao próximo (falo do meu aqui) nem sempre é automático e despreendido. É uma pena. Temos medos, receios, somos egoístas. Não queremos ser tirados da nossa rotina. O fato é que me coloquei no lugar dela, ou imaginei que pudesse ser minha filha. O importante é que voltei imaginando que  ela não estivesse em condições de se levantar por causa da perna.

 

Quando me aproximei e disse olá, ela abriu os olhos mas não disse nada. Só me olhava com aqueles olhos extremamente vermelhos e inexpressivos.

_ Você precisa de ajuda? Posso te ajudar em alguma coisa?

_ Tô de boa, meu, verdade! (Traduzindo, ela não precisava de mim, estava tudo bem).

Senti um enorme aperto no coração ao ouvir aquela voz que saía lenta e enrolada. Não tive dúvidas mais quanto à sua imobilidade.

_ Você estava na balada?

_ Sei lá. Nem sei se aquilo era uma balada. Ninguém gostou de mim. Acho que era por causa dessa bota, ou porque acharam que sou muito doida.

 

Maria Luíza, linda e perdida não queria minha ajuda e muito menos conversar. Quando eu me sentei na calçada e perguntei onde morava e como poderia ajudá-la, pegou seu celular e me disse:

_ Eu tenho tudo, meu! Celular, dinheiro e vou telefonar pra minha mãe vir me buscar. Obrigada, meu! Quando você voltar eu não vou estar mais aqui. Tô de boa!

 

Desejei boa sorte e continuei minha caminhada, não mais feliz com a manhã ensolarada. Maria Luíza não me saiu mais da cabeça. Quando voltei ela realmente não estava mais lá. Pensei na mãe dela sendo acordada com o telefonema da filha e senti dó das duas. Imagino que não tenha sido a primeira vez que Maria Luíza apronta das suas.

Pensei principalmente na auto-estima dessa menina. Tão baixa que se nivelava à sua tendinite. E mais triste é que ela teria trocado tudo de bom que ela ainda pode vir a ser, por um beijo na boca ou um acordo qualquer naquela balada perdida, caso algum dos meninos a tivesse escolhido.

Deus a proteja Maria Luíza. Tomara que você se encontre, se veja e se ame. Só assim você estará de boa!

 

 

 

 

 

 

 

criado por eliezeteluna    19:40 — Arquivado em: modo de ser

23/12/08

Minha melhor produção

Ontem recebi um e-mail especial do meu filho assim que ele chegou ao trabalho. Havíamos tomado o café da manhã juntos e até então não aparentava ter nenhuma nuvem filosófica sob sua cabeça.

 

O assunto era futuro e suas palavras convidavam-me a relacionar todos os sonhos (que racionalmente ele substitui por objetivos) que eu gostaria de realizar. Obviamente que estamos falando de coisas tangíveis, com metas, prazo e planejamento, não importando se a curto, médio ou longo prazo e sem deixar de incluir também sentimentos mais verdadeiros, como por exemplo mais amor.

Ele me instiga enviando sua lista de "EU QUERO"  e pede os meus "EU QUERO", acrescentando, "quero te dar alguma coisa especial. Peça!"

Entre várias coisas de nossas listas, ficou decretada uma pós-graduação e uma segunda Faculdade para ele e a publicação do meu segundo livro.

 

Mas o que de mais forte e que me levou às lágrimas depois dessa troca de sonhos por e-mail, foi a sensação maravilhosa de saber que não vim a passeio para esta vida. Eu consegui! Apesar de todas as dificuldades, insegurança e medo de errar, fui sempre guiada pela intuição e pelo amor e ajudei a formar um Ser Humano especialíssimo, contando com a própria força que dele emanava e que nunca me permitiu desistir.

 

Meu filho namora, frequenta balada e adora jogar futebol, mantendo amizades desde os sete anos de idade. Nessas horas de descontração podemos até ouví-lo falar "beleza", "firmeza" (que fazem doer meus tímpanos), mas de segunda à sexta-feira ele coloca seu terno e gravata e se transforma em um profissional sério, competente e determinado, que ama o que faz. É Coordenador de Marketing em uma grande empresa e tem sob seu comando 22 funcionários.

O que tem de excepcional aqui é que ele só tem 22 anos.

Inevitável pensar em quantos pais (e quero frisar aqui que me refiro a pai e mãe morando juntos e criando os filhos), conseguem "produzir" assim uma pessoa tão especial, sem se descabelar com medos e mais medos de não ter certeza "do que" criou?

 

Ele é meu orgulho e estímulo. Aprendemos um com o outro, às vezes fazendo escora até que quem está mais fraco se fortaleça; brincamos às vezes como duas crianças levadas; brigamos às vezes para acertar os ponteiros e somos extremamente honestos e verdadeiros nessa camaradagem cúmplice.

Muitas vezes ele é meu pai e minha mãe e eu não tenho o mínimo trabalho em fazer o papel de mãe.

Eu simplesmente amo esse moleque!

 

 

criado por eliezeteluna    11:57 — Arquivado em: modo de ser — Tags:,

15/12/08

Alma de fênix

Estou me dando um tempo. É como uma entressafra em compasso de espera. Não me cobro mais, não brigo comigo e quanto às culpas, ficam na soleira da porta enfileiradas até serem pacificadas, e aí, somente depois de resolvidas e rebatizadas, passam a se chamar amor, paciência, verdade e são convidadas a entrar porta adentro.

 

É assim que estou sendo, é assim que quero continuar. Antes de acolher a mulher Eliezete, resolvo olhar para trás e abraçar saudosamente a menina Eliezete. Se puder, quero alcançá-la ainda como bebê recém-nascido ou ainda no santuário do ventre de minha mãe.

Quero dar a essa menina toda a magia de um abraço que afasta a dor, a distância e o medo. Quero brincar de roda e de boneca com a "minha menina", por tanto tempo largada à própria sorte. Quero seguir acompanhando cada fase de seus passos e dizer sempre e a toda hora, como estou feliz nesse reencontro.

 

Como a fênix, que queimada renasce das próprias cinzas, sinto-me forte, viva e pronta para renascer a cada dia, reinventando-me.

 

Amo a vida e seus mistérios. Amo essa força que nos é dada, de poder transformar qualquer sentimento ruim em energia propulsora. Em olhar qualquer problema de um ângulo melhor e inspirador. Em determinar que não seremos mais machucados, no corpo ou na alma, e seremos sempre o que quisermos ser. Tudo que nos acontece é ao sabor do nosso consentimento, da nossa permissão.

 

Estou plantando sementes. Muitas. E sei o que vou colher.

É assim a vida: linda, simples, misteriosa e maravilhosa.

Amo as pessoas que me amam e as que ainda não me entendem.

Descubro a cada dia como domesticar as feras interiores que às vezes teimam em atacar meu jardim em floração. E não me importo de errar, de chorar e sofrer em um dia qualquer.

Importa-me sim o recomeço, o refazer, a persistência em aprender e ter a oportunidade de enxergar minha alma cada vez mais forte, feliz e sábia em cada renascimento.

 

 

criado por eliezeteluna    17:38 — Arquivado em: modo de ser
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